Existem alguns assuntos que sou especialmente atraído dentro da administração. Este em especial por se mostrar uma ilusão/cilada que seguidamente novos empreendedores caem.
A criatividade é uma qualidade constantemente atribuída aos empreendedores de sucesso, e de fato é, não faltam exemplos de pessoas que imaginaram algo totalmente “fora da caixa” e criaram um império em torno de uma ideia que poucas pessoas consideravam viável ou possível.
Este é um daqueles casos em que se pega uma amostra relativamente pequena e se toma como regra (um comportamento bastante comum e vendável na era digital), uma história fácil de vender, mas que não é algo tão verossímil assim.
A criatividade em excesso, um perfil idealizador acentuado, tem a característica de identificar como “oportunidade única” produtos ou serviços que não são viáveis como negócio. E convenhamos, por mais que possam afirmar que “nem tudo é dinheiro” este é o único fator que na sua ausência compromete a vida de um negócio. Em resumo, sem sustentabilidade financeira, uma ideia, por mais inovadora e genial que pareça, sucumbirá com o tempo.
Na última semana, eu e minha esposa estávamos procurando uma mochila escolar para o nosso filho, queríamos um determinado tamanho e não encontramos, ou eram grandes demais ou pequenas e infantis demais. Uma mente demasiadamente idealizadora (este não é o melhor exemplo, mas ele pode ilustrar o raciocínio) poderia dizer: “nossa, não encontrei mochilas para meninos que estão entre os 5 e os 6 anos, é uma oportunidade de negócios”, porém um nicho de mercado tão específico pode não ter clientes o suficiente para garantir a prosperidade do negócio, mesmo que ninguém o está explorando.
Existe uma lacuna de mercado, mas será que existe um mercado na lacuna?
Pode (e muitas vezes isso se prova verdadeiro) que ninguém está vendendo porque não existe um mercado para esse produto naquele local ou região. É tentador acreditar que sua mente tem a sagacidade que falta aos reles mortais deste mundo (e acredite, todos temos a tendência de supervalorizar nossas ideias), mas no geral somos bastante medianos no que diz respeito à criatividade.
Gosto de pensar que a criatividade é muito mais o fruto da observação, troca e criação conjunta do que um lampejo genial. Somos criativos quando compartilhamos, expomos nossas ideias à avaliação (embasada) de outros e aprimoramos estas as ideias. Faz parte do empreendedorismo submeter às inovações a testes de viabilidade, opinião e desempenho (técnico e mercadológico).
Lacunas de mercado ainda não preenchidas oferecem grandes oportunidades, mas o desafio é saber quais destas lacunas são lucrativas e quais são armadilhas. Consumidores com frequência têm uma forte posição ou opinião em relação às tendências (ecológica por exemplo) mas não prestam atenção a isso ao comprar os produtos, principalmente se os preços forem mais altos. Muitas lacunas de mercado são tentadoras, porém ilusórias.

Escrito por Miro Marques



